A Polícia Civil instaurou um inquérito parar investigar uma mulher suspeita de cometer uma série de crimes contra o ex-companheiro após o fim do relacionamento, ocorrido há cerca de quatro meses, em São Miguel do Guamá, no nordeste do Pará.
De acordo com a investigação, conduzida pelo delegado Henrique Inácio, a suspeita teria praticado diversos atos contra a vítima, incluindo invasão de privacidade, acesso indevido a contas pessoais, danos patrimoniais, movimentações financeiras não autorizadas e a divulgação de um vídeo íntimo sem consentimento.

Segundo a Polícia Civil, a mulher teria entrado na residência do ex-companheiro e se apoderado do aparelho celular da vítima. A partir do acesso ao dispositivo, ela teria encontrado um vídeo íntimo armazenado no telefone e compartilhado o conteúdo em diversos grupos de WhatsApp.
Tentativa de golpe usando nome da Defensoria
Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a suposta utilização da imagem institucional da Defensoria Pública e do Poder Judiciário para tentar obter vantagem financeira da vítima.
Conforme apurado, o homem passou a receber mensagens de um número de telefone cujo interlocutor afirmava estar no fórum e dizia atuar em favor da ex-companheira. Nas conversas, era informado que a mulher teria registrado ocorrência, apresentado supostas provas de agressões e realizado exame de corpo de delito, orientando a vítima a comparecer ao fórum no dia seguinte.



Na sequência, passaram a exigir o pagamento de R$ 1 mil, alegando que o valor serviria para “resolver” a situação e evitar maiores consequências.
A fraude despertou suspeitas devido à forma como as mensagens eram escritas, com diversos erros de português e linguagem incompatível com a utilizada por membros da Defensoria Pública ou servidores do Poder Judiciário.
Polícia também entrou em contato
Durante as diligências, a própria equipe da Polícia Civil realizou contato com o número utilizado nas mensagens. Segundo a investigação, a pessoa continuou afirmando que estava “atendendo a vítima”, sem esclarecer que não possuía qualquer vínculo oficial com a Defensoria Pública ou com o Judiciário.
A escrivã responsável pelo atendimento classificou a situação como incomum, destacando a tentativa de utilizar a credibilidade das instituições públicas para intimidar a vítima e tentar obter dinheiro de forma ilícita.
Além da divulgação do vídeo íntimo, a Polícia Civil também apura o acesso indevido a aplicativos bancários da vítima, possíveis movimentações financeiras sem autorização, danos patrimoniais e perseguições praticadas após o término do relacionamento.
Diante dos elementos reunidos até o momento, a investigada foi indiciada, em tese, pelos crimes de furto, furto mediante fraude eletrônica, invasão de dispositivo informático, divulgação de cena de sexo ou nudez sem consentimento, perseguição (stalking), dano e tentativa de estelionato.
O aparelho celular apreendido com a suspeita será submetido à extração e análise pericial dos dados, mediante autorização judicial, para aprofundar as investigações e identificar a possível participação de outras pessoas.
O inquérito segue sob a presidência do delegado Henrique Inácio, titular da Delegacia de Polícia Civil de São Miguel do Guamá.
































