A Polícia Civil do Pará prendeu, nesta quarta-feira (1º), um homem acusado de ameaçar a própria filha para que ela retirasse a denúncia de estupro reiterado contra ele. O caso veio à tona em 2023 e envolve supostos abusos sexuais praticados ao longo de anos.
De acordo com o delegado Henrique Inácio, o homem foi detido no local de trabalho após a vítima procurar a delegacia e relatar novas ameaças. Assim que foi intimado, o homem passou a procurá-la, alternando elogios e intimidações.
Em um dos episódios, ele teria ido à residência da jovem e dito que, se fosse preso, sairia “com ódio no coração” e poderia “fazer besteira”, declaração interpretada pela vítima como ameaça de morte.

A jovem, hoje com 19 anos, acusa o pai biológico de ter iniciado os abusos em 2021, em São Miguel do Guamá, quando ela tinha cerca de 14 anos e passou a morar com ele. Segundo seu depoimento, o primeiro estupro ocorreu em uma noite em que a esposa do investigado estava ausente.
“Ele se aproximou, deitou ao meu lado e passou a tocar minhas partes íntimas. Pedi várias vezes para ele parar, mas não cessou. Tapou minha boca e praticou conjunção carnal”, relatou a vítima.
Ela afirma que os abusos se repetiram por cerca de seis anos, muitas vezes na ausência da madrasta, mas também na presença de outros familiares. A jovem ainda descreveu agressões físicas frequentes, como tapas, enforcamentos e pisões, além de forte controle sobre sua vida social. A vítima relatou ainda que não tem certeza sobre a paternidade de uma de suas filhas.
A denúncia chegou à Polícia Civil em maio de 2023, quando a mãe da vítima registrou boletim de ocorrência após resgatar a filha e descobrir que ela estava grávida de dois meses. Na ocasião, a jovem revelou os abusos sexuais e as agressões cometidas pelo pai.
A identidade da vítima é preservada, conforme determina a legislação.
